Neste texto, procuro aproximar a escrita de Clarice Lispector da experiência vivida em três de suas obras: o romance A paixão segundo G.H. e os contos Perdoando Deus, de Laços de Família, e Persona, de A via crucis do corpo. Em todas essas narrativas, Clarice conduz suas personagens a momentos de suspensão das certezas, em que a vida se mostra em sua crueza e intensidade. É nesse movimento que sua literatura toca a fenomenologia, pois revela, pela via da ficção, questões profundas da existência. Publicado em 1964, o romance A paixão segundo G.H. é, a meu ver, uma das obras mais enigmáticas e ousadas da literatura brasileira. Longe de seguir uma trama convencional, Clarice Lispector conduz sua protagonista a um mergulho vertiginoso em uma experiência de ruptura, desencadeada pelo encontro inesperado com uma barata no quarto de empregada de seu apartamento. O que poderia ser apenas um episódio trivial ganha outra dimensão: torna-se uma crise de identidade, um choque com o nada e, ao mesm...
Explorando as encruzilhadas do tempo e do pensamento. Da pólis grega às revoluções modernas, das ideias de Platão às provocações de Nietzsche — este espaço é uma tentativa de mergulho na história e na filosofia, a fim de desvendar os ecos do passado que moldam nosso presente.