Lilia Schwarcz e Heloisa Starling lembram que “a história só é previsível quando vista de longe”, pois, de perto, ela é uma sucessão de tensões, avanços e recuos que, no caso do Brasil, transformaram um projeto de colonização costeira em império e, depois, em Estado independente, sempre carregando contradições profundas. No século XVII, a interiorização prometia “domar” sertões desconhecidos e multiplicar riquezas. A palavra sertão, “desertão”, espaço vazio de súditos, logo passou a evocar medo, barbárie e, ao mesmo tempo, oportunidade para a expansão da fé católica, do negócio escravista e da autoridade régia. Bandeiras armadas abriram caminho com violência contra povos indígenas e quilombos, enquanto a Coroa incentivava a busca de metais. Quando o ouro finalmente apareceu em Minas, no final do século XVII, Lisboa falava em “tesouros imensos prontos a serem descobertos”, mas a realidade foi outra: nas lavras, diz Laura de Mello e Souza, proliferaram vadios, miseráveis e “desclass...
Explorando as encruzilhadas do tempo e do pensamento. Da pólis grega às revoluções modernas, das ideias de Platão às provocações de Nietzsche — este espaço é uma tentativa de mergulho na história e na filosofia, a fim de desvendar os ecos do passado que moldam nosso presente.